segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Marketing digital e a necessidade do jornalista em campanhas publicitárias


O profissional de jornalismo é essencial dentro e fora das redações. Um bom exemplo da essencialidade do profissional é sua atuação dentro das agências de publicidade. O uso adequado da língua portuguesa e a proximidade com veículos e meios de comunicação tornam o jornalista um profissional atraente dentre grupos e equipes de publicitários.
A atuação do jornalista dentro das agências faz-se pela figura do redator. Ele elabora textos persuasivos a fim de tornar os produtos e serviços atraentes aos clientes e consumidores. Chamadas e títulos também são revisados pelo profissional, uma vez que é um dos maiores atrativos em uma campanha publicitária.
Entretanto, além das criações de texto e anúncios para cartazes, outdoors, o jornalista também escreve para gravações de rádio e televisão, estes que exigem minucioso estudo para torna-los mais objetivos e eficazes quanto ao alvo a ser atingido.
Dentro da agência o jornalista atua em conjunto com o diretor de arte, profissional da publicidade e propaganda. Juntos ficam encarregados das imagens e textos que deverão chamar atenção do consumidor aos produtos ou serviços, bem como de sons passíveis de divulgação, tudo analisado por meio do briefing estabelecido pelo contratante.
 O proprietário da Agência Znit, Tony Kaique Art (28), é formado em publicidade e propaganda e, atualmente, considera de essencial importância a participação do jornalista dentro das agências. Tony atribui ao avanço da internet para o aumento dessa necessidade multidisciplinar.
“Hoje o marketing digital necessita de uma demanda muito grande de conteúdo, em geral, consideramos que jornalistas têm facilidade em produzir conteúdo e com mais cuidado com a gramática”, explicou o publicitário.
Além da necessidade de profissionais do jornalismo dentro das agências, é preciso levar em conta o gosto do próprio jornalista por atuar dentro de agências ao invés de redações ou estúdios.
É o que acontece com a jornalista, pós-graduada em administração de propaganda e marketing, Bianca Bianchi (31). Atualmente Bianca trabalha na agência 8020 MKT e afirma já ter atuado em outras agências do ramo, como a antiga Futura.
A jornalista explica que chegou a trabalhar em redações e setores de comunicação institucionais, mas que se encaixou melhor dentro de uma agência de publicidade. “A rotina de agência faz mais sentido para mim. Sem horário muito rígido e a opção de não fazer sempre o mesmo trabalho, pode passear em diferentes tipos de Jobs, de clientes com diferentes perfis”, justificou a escolha.

Briefing

O briefing é o conjunto de informações recebidas pelo contratante a fim de explicar e exemplificar o tipo de divulgação, produto e veiculação quer dos seus produtos ou serviços. Por meio dele, a agência conhece a empresa, seus valores, alvos, objetivos e interesses no mercado.
Dentro das agências o briefing é fundamental para o processo criativo. É um trabalho contínuo que direciona e influencia em toda a campanha publicitária desenvolvida pelos profissionais para que aquela determinada empresa atinja seus objetivos comerciais.
Interdicisplinaridade
A interdicisplinaridade que acontece na coleta de dados e posterior execução do trabalho, é parte básica para que o resultado seja completo e detalhado. Sobre esse trabalho em conjunto, Tony Kaique afirma ser natural do mercado, vez que “as necessidades das empresas ficam cada vez mais complexas com a integração de estratégias de marketing”.
Segundo o publicitário, “uma equipe multidisciplinar tende a ser mais versátil e criativa”. No mesmo sentido pensa a jornalista Bianca Bianchi, que acredita não haver mais divisões dos profissionais da área de comunicação, seja ele jornalista, publicitário ou do marketing.
O jornalismo atualmente exige integração profissional, principalmente porque até leitores, ouvintes ou telespectadores também são vistos como possíveis clientes, consumidores ou alvos.
“Unidos profissionais dessas diferentes áreas, é possível entregar soluções muito mais completas para o cliente, que darão resultados mais concretos”, afirmou a jornalista.
Além desta interdisciplinaridade, Bianca aponta a necessidade de integração com diversas outras áreas, para o bom funcionamento da agência, ou de qualquer veículo de comunicação. “Além dessas três (áreas) entram também designers, especialistas em negócios/mercado e em T.I (Tecnologia de Informação)”, conclui.

Assessoria

Algumas agências incorporam em seu quadro de serviços oferecidos assessoria de imprensa. Para essas equipes o jornalista se torna ainda mais fundamental, uma vez que é uma das matérias básicas da grade curricular acadêmica da área.
Para o exercício desse trabalho, as agências agregam equipes jornalísticas às demais, para oferecerem serviços complementares aos contratantes. “Cada agência tem seu jeito de trabalhar, algumas agências já oferecem o serviço de assessoria de imprensa em conjunto com os próprios serviços, e acabam formando uma equipe de jornalismo”, explicou Tony, dono da Znit.
Contudo, este não é o serviço prestado pela Znit. Na agência de Tony, a jornalista contratada é responsável pela revisão de textos, criação de conteúdos para redes sociais e blogs, bem como auxiliar o diretor de arte com títulos e demais chamativos.
Muitos profissionais da área do jornalismo começam suas carreiras pela assessoria de imprensa, bastante visada já na época acadêmica por conta das promessas salariais. Além dos bons salários, o setor oferece uma gama de oportunidades intelectuais, de apuração, adaptações, entre outras capacitações que precisam ser testadas profissionalmente.
A jornalista Bianca Bianchi iniciou a carreira fazendo assessoria de imprensa para clientes de uma agência, mas diz que, com o tempo, acabou agregando outras funções até chegar a produção de conteúdo, entre outros serviços prestados em agência.
Os profissionais que trabalham em conjunto com pessoas de áreas diferente das suas, em sua grande maioria, afirmam que esta é uma experiência necessária, pois se aprende muito e amadurece com a convivência diversificada de pensamentos, ações, escolhas e visões profissionais, além de saber que trabalhar em equipe é fundamental. “Não se faz nada sozinho”, afirma Bianca.
Além disso, na visão dos donos de agência, os jornalistas que trabalham em agência tendem a se tornar mais ágeis, e aprendem lidar com paciência ao esperarem pelo impulso criativo.


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