sábado, 15 de setembro de 2018

Profissionais devem tomar cuidado com a postura diante do código de ética

Como toda profissão, o jornalismo também exige um código de regras para organizar e reger a atividade profissional. Entretanto, até que ponto um Código de Ética controla e estimula o profissional, sem que valores pessoais interfiram em seu cotidiano?

A conduta desejável ao profissional que trata, filtra e transmite informações pode, e deve, ser polida e trabalhada cotidianamente. Primeiro porque a exposição a fatos sociais pode influenciar na forma como o jornalista vê e assimila os fatos e pessoas envolvidos em determinada situação.

A opinião pessoal e o julgamento primário podem manipular a forma como a informação é transferida aos recebedores da mensagem. Por essa razão o código de ética precisa ser respeitado e estudado.

Daniel Bruno
A matéria é uma das mais valorizadas no curso, talvez não pelo acadêmico, mas no mercado é essencial que o profissional conheça a norma. Segundo o professor de filosofia Daniel Bruno dos Santos Ricco (30), ética e moral exigem certo cuidado do profissional, em especial do jornalista.

Para ele, ética e moral “são construídas pelo meio no qual a pessoa se faz mesmo que ela não participe das decisões para tal diretamente. Nós não entramos na vida profissional “desligados” da ética e moral de onde surgimos, que nos criou. Por isso, é importante que as questões éticas e morais nos influenciem nas decisões profissionais por serem ligadas a um espaço maior que o nosso particular, o público”, explicou.

Então, a partir do nosso conceito do certo e da verdade, trabalhamos os meios e formas de comunicar e expor determinados fatos, com sua essencialidade, mas atentos ao que realmente precisa ser transmitido.

Para o jornalista e acadêmico do último semestre de filosofia, Elton Gonçalves (26), o jornalismo deve, primeiramente, ter compromisso com a verdade e “a ética, em sua essência, deve por sua vez, partilhar desse mesmo trato”. Contudo, o caso varia diante de um determinado fato. “A relação do jornalismo com aética se dá no decorrer de cada situação vivenciada pelo profissional”, pontuou Elton.

Nesse sentido, o dilema do jornalista sobre o que publicar e o que deixar passar. As vezes valores morais não permitem que determinada informação seja repassada, o que pode prejudicar a função social da área. Ser a favor ou contra determinado acontecimento não pode interferir no julgamento da noticiabilidade.

"Não é que a possibilidade de agir eticamente de acordo com sua profissão não exista. É que o valor moral em comunidade vai sempre depender um do outro", afirmou Elton ao explicar a interferência na moral no ambiente de trabalho.
Elton Gonçalves


Uma das funções mais prejudicadas é que se refere ao poder fiscalizador que o jornalista possui. O dever se informar e transmitir notícias de transparência, economia e demais áreas que envolvem políticas públicas deve ser ilibada e imparcial, sem pré-julgamentos.

O jornalista, muitas vezes, corre o risco de interferir na informação por causa de um pensamento pessoal, o que acaba prejudicando quem recebe a mensagem. Segundo Elton, não cabe ao profissional decidir qual é a verdade, mas sim transmiti-la nua e cruamente.

“A manipulação da verdade, na maioria dos casos, prejudica muito mais quem se silencia na expressão do que é real, do que quem recebe a situação colocada”, afirmou o jornalista.

Sobre essa interferência e manipulação, o filósofo Daniel Bruno explica que é preciso tomar cuidado, principalmente porque opiniões próprias podem criar falsos julgamentos, o que acabou gerando, atualmente, as famosas “fake news”, que são formas de manipulação da verdade ou dos fatos por causa de uma opinião pessoal ou escusa.

“Notícias falsas ou manipuladas nos dias de hoje afetam diretamente a vida pública. Nosso maiores exemplos recentes são as eleições dos EUA em 2016 para presidente através do Facebook e casos de assassinatos na Índia por propagação de notícias falsas pelo Whatsapp. As investigações da Polícia Federal dos EUA estão provando que um presidente foi eleito pela influência da “viralização” de notícias falsas, comprometendo a eleição e fazendo com que uma grande parte dos eleitores desistissem do pleito não votando”, acrescentou o filósofo a respeito.

Portanto, códigos de conduta são essenciais ao ambiente de trabalho, porém, não moldam o profissional àquilo. Cada um deve saber e conceder o limite que acha justo, lembrando sempre da verdade fática e da necessidade noticiosa.

A profissão pode se tornar muito perigosa se usada de má-fé e o profissional pode acabar tendo problemas ou os causando.

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