O profissional de jornalismo é essencial dentro e fora das
redações. Um bom exemplo da essencialidade do profissional é sua atuação dentro
das agências de publicidade. O uso adequado da língua portuguesa e a
proximidade com veículos e meios de comunicação tornam o jornalista um
profissional atraente dentre grupos e equipes de publicitários.
A atuação do jornalista dentro das agências faz-se pela
figura do redator. Ele elabora textos persuasivos a fim de tornar os produtos e
serviços atraentes aos clientes e consumidores. Chamadas e títulos também são
revisados pelo profissional, uma vez que é um dos maiores atrativos em uma
campanha publicitária.
Entretanto, além das criações de texto e anúncios para
cartazes, outdoors, o jornalista também escreve para gravações de rádio e
televisão, estes que exigem minucioso estudo para torna-los mais objetivos e
eficazes quanto ao alvo a ser atingido.
Dentro da agência o jornalista atua em conjunto com o
diretor de arte, profissional da publicidade e propaganda. Juntos ficam
encarregados das imagens e textos que deverão chamar atenção do consumidor aos
produtos ou serviços, bem como de sons passíveis de divulgação, tudo analisado
por meio do briefing estabelecido
pelo contratante.
O proprietário da Agência Znit,
Tony Kaique Art (28), é formado em publicidade e propaganda e, atualmente,
considera de essencial importância a participação do jornalista dentro das
agências. Tony atribui ao avanço da internet para o aumento dessa necessidade
multidisciplinar.
“Hoje o marketing digital
necessita de uma demanda muito grande de conteúdo, em geral, consideramos que
jornalistas têm facilidade em produzir conteúdo e com mais cuidado com a
gramática”, explicou o publicitário.
Além da necessidade de
profissionais do jornalismo dentro das agências, é preciso levar em conta o
gosto do próprio jornalista por atuar dentro de agências ao invés de redações
ou estúdios.
É o que acontece com a jornalista,
pós-graduada em administração de propaganda e marketing, Bianca Bianchi (31).
Atualmente Bianca trabalha na agência 8020 MKT e afirma já ter atuado em outras
agências do ramo, como a antiga Futura.
A jornalista explica que chegou a
trabalhar em redações e setores de comunicação institucionais, mas que se
encaixou melhor dentro de uma agência de publicidade. “A rotina de agência faz
mais sentido para mim. Sem horário muito rígido e a opção de não fazer sempre o
mesmo trabalho, pode passear em diferentes tipos de Jobs, de clientes com
diferentes perfis”, justificou a escolha.
Briefing
O briefing é o
conjunto de informações recebidas pelo contratante a fim de explicar e
exemplificar o tipo de divulgação, produto e veiculação quer dos seus produtos
ou serviços. Por meio dele, a agência conhece a empresa, seus valores, alvos,
objetivos e interesses no mercado.
Dentro das agências o briefing é fundamental para o processo
criativo. É um trabalho contínuo que direciona e influencia em toda a campanha
publicitária desenvolvida pelos profissionais para que aquela determinada
empresa atinja seus objetivos comerciais.
Interdicisplinaridade
A interdicisplinaridade que acontece na coleta de dados e
posterior execução do trabalho, é parte básica para que o resultado seja
completo e detalhado. Sobre esse trabalho em conjunto, Tony Kaique afirma ser
natural do mercado, vez que “as necessidades das empresas ficam cada vez mais
complexas com a integração de estratégias de marketing”.
Segundo o publicitário, “uma equipe multidisciplinar tende a
ser mais versátil e criativa”. No mesmo sentido pensa a jornalista Bianca
Bianchi, que acredita não haver mais divisões dos profissionais da área de
comunicação, seja ele jornalista, publicitário ou do marketing.
O jornalismo atualmente exige integração profissional,
principalmente porque até leitores, ouvintes ou telespectadores também são
vistos como possíveis clientes, consumidores ou alvos.
“Unidos profissionais dessas diferentes áreas, é possível
entregar soluções muito mais completas para o cliente, que darão resultados
mais concretos”, afirmou a jornalista.
Além desta interdisciplinaridade, Bianca aponta a
necessidade de integração com diversas outras áreas, para o bom funcionamento
da agência, ou de qualquer veículo de comunicação. “Além dessas três (áreas)
entram também designers, especialistas em negócios/mercado e em T.I (Tecnologia
de Informação)”, conclui.
Assessoria
Algumas agências incorporam em seu quadro de serviços
oferecidos assessoria de imprensa. Para essas equipes o jornalista se torna
ainda mais fundamental, uma vez que é uma das matérias básicas da grade curricular
acadêmica da área.
Para o exercício desse trabalho, as agências agregam equipes
jornalísticas às demais, para oferecerem serviços complementares aos
contratantes. “Cada agência tem seu jeito de trabalhar, algumas agências já
oferecem o serviço de assessoria de imprensa em conjunto com os próprios
serviços, e acabam formando uma equipe de jornalismo”, explicou Tony, dono da
Znit.
Contudo, este não é o serviço prestado pela Znit. Na agência
de Tony, a jornalista contratada é responsável pela revisão de textos, criação
de conteúdos para redes sociais e blogs, bem como auxiliar o diretor de arte
com títulos e demais chamativos.
Muitos profissionais da área do jornalismo começam suas
carreiras pela assessoria de imprensa, bastante visada já na época acadêmica
por conta das promessas salariais. Além dos bons salários, o setor oferece uma
gama de oportunidades intelectuais, de apuração, adaptações, entre outras
capacitações que precisam ser testadas profissionalmente.
A jornalista Bianca Bianchi iniciou a carreira fazendo
assessoria de imprensa para clientes de uma agência, mas diz que, com o tempo,
acabou agregando outras funções até chegar a produção de conteúdo, entre outros
serviços prestados em agência.
Os profissionais que trabalham em conjunto com pessoas de
áreas diferente das suas, em sua grande maioria, afirmam que esta é uma
experiência necessária, pois se aprende muito e amadurece com a convivência
diversificada de pensamentos, ações, escolhas e visões profissionais, além de
saber que trabalhar em equipe é fundamental. “Não se faz nada sozinho”, afirma
Bianca.
Além disso, na visão dos donos de agência, os jornalistas
que trabalham em agência tendem a se tornar mais ágeis, e aprendem lidar com
paciência ao esperarem pelo impulso criativo.